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Glossário da Tradição Iniciática Nativa Andina

Glossário da TINA

A

  • Achachi: Avô. Ancião masculino.
  • Achachilla: Espírito das montanhas. É outra variante de “Apu”, apresenta-se como um espírito protetor que vive não só entre os morros, mas também nos campos e nas comunidades. Sua presença é importante no sul do Peru e na Bolívia.
  • Aclla (Aklla): Mulher escolhida e treinada para servir a Inti (Sol) e ser o consorte do Imperador Inka. Escolhidas aos 8 anos de idade, ficavam alojadas em akllawasi (Templo das Virgens do Sol), em Cusco e supervisionadas por mulheres idosas.
  • Ajayiru: É um especialista na cura de síndromes produzidas pela perda do ajayu, um dos duplo-anímicos presente na pessoa cuja relação com a consciência, a razão e a força vital permitem compará-lo com o conceito andino-setentrional de “sombra”.
  • Ajayu: Essência anímica andina, conhecida pelos nomes de alma, espírito, sombra, duplo-anímico, etc.
  • Ajayu Marka: Lugar dos Espíritos; local onde está localizado o portal interdimensional de Amaru Muru localizado a beira do lago Titikaka.
  • Aka Pacha ou Kay Pacha: O mundo mediano ou ordinário, onde habita os seres vivos e tudo que se move pela Terra. É o mundo do sentimento, ligado à nossa consciência, ao cérebro límbico. Representado pelo Puma.
  • Akulliri: Especialista em adivinhação por meio da coca, cuja folha ele masca para deduzir de acordo com o doce ou amargo, o êxito positivo ou negativo da terapia.
  • Akulliy: Ato de mastigar coca.
  • Alimentaciones: Significa “alimentação”. Um dos nomes dado as oferendas para os encantos na Bolívia e sul do Peru.
  • Allin Ayni: “Allin” corresponde a bem ou bom e “ayni” a reciprocidade, equilíbrio e troca, então Allin Ayni seria interpretado como o bom equilíbrio ou relação ótima de reciprocidade.
  • Allin Kawsay: “Allin” significa bem ou bom, e “kawsay” é vida ou viver. Juntando ambas as palavras “Allin Kawsay” se obtem a filosofia de vida de bem-estar e prosperidade chamada bom viver. Em alguns círculos este princípio se chama “Sumaq Kawsay”.
  • Allin Munay: Na língua runasimi “allin” corresponde a bem ou bom e “munay” adquire um significado vinculado ao sentimento andino, o animo, bom gosto e desejo, pelo qual se caracteriza de “amor com vontade”. Juntando as duas palavras Allin Munay, obtém-se uma combinação que garante a boa intenção do amor recíproco. Quando se fala em “Allin Munay”, equivale a desejar alguém com quem se tem afinidade pelo “amor na vida e no próprio caminho da vida”.
  • Allin Puriy: A palavra “puriy” faz alusão a caminho ou caminhar, enquanto “allin” significa bem ou bom. Juntando as duas palavras em Allin Puriy, interpretamos como bom caminhante, bom caminho de vida ou como bom caminho que se faz ao andar.
  • Allin Qhaway: Do runasimi “allin” corresponde a bem ou bom e “qhaway” significa contemplar ou arte da contemplação, então Allin Qhaway é interpretado como a arte da boa contemplação ou arte da boa visão ou do bom vidente.
  • Allin Yachay: “Yachay” corresponde a saber ou sabedoria, e “Allin” significa bem ou bom. Juntando as duas palavras Allin Yachay, se obtem como siginificado “o bom conhecimento” ou “bom sábio”.
  • Allpa: Terra.
  • Allpa Mama: Literalmente é a tradução literal para Mãe Terra em runasimi, apesar de ser Pachamama a palavra mais utilizada. Porém esta última não se refere apenas à Mãe Terra, mas a natureza, ao Cosmo e ao espaço-tempo. Já Allpa Mama, é uma palavra pouco usada, mas que, no entanto, faz referência exclusiva ao elemento Terra.
  • Allpa Pisqu: Ave da Terra. Vegetalisats usam esta ave para suas viagens xamânicas.
  • Altumisayuq (Alto Mesayoq): Xamã andino que tem uma relação com seres sobrenaturais, mas particularmente com os espíritos das montanhas. Acredita-se que ele foi escolhido pela Pachamama para que seja seu porta-voz com a humanidade.
  • Ama Llula: Trabalho.
  • Ama Quella: Verdade.
  • Ama Sua: Honra.
  • Amáraka: Terra dos Imortais, Nome verdadeiro do continente americano, dado em homenagem aos gigantes sobreviventes do dilúvio;
  • Amara Mara: Polaridade feminina de Aramu Muru.
  • Amaru: Serpente ou cobra. Em um nível místico para a cultura andina é a serpente cósmica e arquetípica que está relacionada ao Ukhu Pacha (Mundo Interior). Equivalente ao poder da kundalini oriental (kamaq nos Andes), razão pela qual Amaru é um caminho de vida, neste caso de elevação do estado espiritual que começa na base do sacro e depois emerge em cada nível dos restantes dos centros energéticos, proporcionando desenvolvimento e elevação do estado de consciência.
  • Amarun: Um termo utilizado na Amazônia para a Anaconda. A derradeira fonte do poder, a hidrosfera, personificada pela anaconda (amarun), o que pode quebrar todos os laços de hegemonia, mas contém dentro a própria gênese da destruição e o reaparecimento do Caos.
  • Anim aypxatiri: Palavra que significa “O que devolve o animu” é o nome de um especialista na cura da perdida do animu.
  • Anka: Águia.
  • Anka Kay: Paz.
  • Aramu Muru (Aramu Mur/Meru): Alto sacerdote lemuriano, um dos sobreviventes dos Mur.
  • Amauta, Hamawtta ou Hamuyiri: Mestre andino, guia espiritual ou sacerdote. Conhecido também por Yachac. São os sábios andinos primogênitos. Normalmente era o mestre da escola Yachay Wasi (Casa do Saber) dos Inkas, onde a nobreza e a realeza recebiam as intruções e ensinamentos a fim de gerir e dirigir a grandeza do território incaico.
  • Anchanchu: Seres da natureza, tipo duende, ligado a cavernas e lagos.
  • Animu Kuti: Resgate de fragmentos da alma.
  • Anka: Águia.
  • Anqas: Azul.
  • Apacheta: Lugar de oferendas. Montanhas de pedra feita de oferendas. É uma oferenda espiritual de natureza pessoal ou grupal destinada a celebrar a aliança com os Apus e a Mãe Terra, trata-se de empilhar em forma de coluna ou pirâmide um monte de pedras de diferentes dimensões, onde a base se conecta com o Ukhu Pacha, o corpo com o Kay Pacha e a ponta o contato com o Hanan Pacha. Este arquétipo representa a aliança pessoal com os diferentes contextos dimensionais e, uma vez finalizado, outros elementos são colocados adicionalmente, sempre como motivo de oferenda (pulverizar bebidas, balas, frutas, flores, etc.). É sinônimo de saywa.
  • Apachi: Avó. Anciã.
  • Apuski: Antepassado. Geração passada.
  • Ampara katuri: Significa “o que toma a mão”. É um especialista da pulsação, um complexo método diagnostico que utiliza o exame tátil da vibração do pulso do enfermo.
  • Apu: Espírito das montanhas sagradas. É o espírito guardião que governa uma montanha e, por extensão, um território. Com este conceito não há referência à terra ou montanha física. A essência desse espírito está associada ao todo (a montanha como tal) ou às suas diferentes partes, como o topo, as encostas ou a base. Este ente tutelar canaliza forças de cura poderosas que ajudam o xamã a curar. Em algumas regiões andinas equivale a Achachila, Wamani e até Awki. Significa também autoridade, líder e soberano.
  • Apukuna: Linhagem espiritual. Também é o plural de Apu, no lugar de Apus.
  • Atiy: O poder de fazer algo.
  • Atoq (Atuq): Raposa.
  • Aumakua: Mente superior consciente. Espírito da pessoa que é masculino e feminino.
  • Ausangate: Apu principal da região de Cusco.
  • Away: Tecer.
  • Awka sirenas: Sereias que vivem dentro de rochas e quando alguém tenta capturá-las, elas simplesmente desaparecem dentro delas. As pequenas poças de água acima de suas rochas são como espelhos solares que podem ser transformados em fortes lasers que são capazes de capturar até mesmo o mais poderoso dos inimigos.
  • Awki: Espírito protetor, personagem mítico que habita os Apus. Refere-se a vários outros significados, entre os quais um semelhante à categoria Apu, desta forma também é um protetor e guardião que vive nos picos e serras, pelo qual é conhecido pelo nome plural “awkikuna”.
  • Awqa: Palavra que denota luta ou ação de um guerreiro. Em algumas regiões andinas se identifica o inimigo, sedicioso ou rebelde. Awqa é a palavra que mais enfaticamente descreve o guerreiro em si e em termos espirituais reconhece a pessoa que luta consigo mesma para conquistar seu próprio espírito guerreiro.
  • Awqa Kenti: É o espírito guerreiro do beija-flor, que descreve a metáfora de um pássaro lutador, ativista e rebelde insaciável por causas a favor da vida.
  • Aya: Defunto.
  • Ayahuasca ou Ayawaska: Refere-se a dois significados, por um lado a planta amazônica (Banisteriopsis caapi) que cresce em forma de cipó e possui propriedades eméticas e medicinais. A bebida ayahuasca é feita cozinhando e misturando o cipó “ayahuasca” com a planta “chacruna” (Psychotria viridis). A bebida ou preparação final é tradicionalmente reconhecida como néctar dos deuses e é usada na bacia amazônica entre as comunidades nativas do Equador, Colômbia, Brasil e Peru. Planta mestra de poder, muito utilizada em experiência xamânica na selva, traduzida como “corda da morte” ou “vinho dos mortos”.
  • Ayllu: Comunidade.
  • Ayamanchare: Espírito do medo que surge a partir do vapor da terra. Ele tem qualidades extraordinárias que auxiliam os vegetalistas em seus trabalhos de cura.
  • Ayamarka: Cemitério.
  • Ayar Ukhu: Espírito Supervisor do Ukhu Pacha que deve ser evocado para permissão e assistência num trabalho de resgate de alma.
  • Ayni: Lei da reciprocidade. O dar e receber. No sistema místico define a atitude do xamã e constitui a base de todos os ritos e cerimônias, posto que o yachac está sempre realizando intercâmbios de energia com o reino dos espíritos.

B

  • Bebido: É sinônimo de adivinho e se refere a beberagem de psicotrópicos que o vidente ingere. Também se utiliza “enyerbado” para mencionar este xamã.
  • Brujo: É sinônimo de “malero” e feiticeiro. É um termo depreciativo se aplicado ao terapeuta tradicional e nunca é utilizado no léxico corrente das comunidades como sinônimo de curandero.

C

  • Cauchus ou runapmicuc: Maleros (feiticeiros) que atuavam a noite roubando e utilizando ossos de pessoas mortas para prepararem com sangue uma comida que se convertia em carne e era consumida por eles. A pessoa que era vítima do feitiço morria dentro de três dias. Runapmicuc significa “aquele que come homens”, principalmente crianças.
  • Catachillay (Qatachillay ou Llamacñawin): “Constelação dos olhos da lhama”, que representa a “Lhama Sideral” que nos ilumina todas as noites com seus olhos.
  • Ceke (Ceque, Seqe, Zeqe): Canal ou cordão energético, que pode nos conectar com tudo e qualquer coisa, desde o menor inseto até a estrela mais distante. Termo que faz referência as linhas energéticas invisíveis que unem lugares diferentes da Terra, chamadas também de linhas ley ou axiotonal. No campo humano, ele é um sistema de linhas energéticas que conectam os ñawis entre si, assumindo um caráter de canais de energia. Sendo que alguns deles, como por exemplo, os das mãos (makis) e do q’osqo se transformam em filamentos de transmissão de energia.
  • Ccanchis ou Qanchis: Sete. É um número mágico e sagrado que se manifesta em tudo que transcende e é composto de tawa (quatro) e kimsa (três) os quais são também sagrados.
  • Chacha Puma ou Puma Runa (Homo luminous): Homem luminoso, ser de luz. O puma é um guerreiro. Puma tem equilíbrio. Chacha Puma ou Puma Runa têm essas mesmas qualidades em sua busca espiritual, pois experiencia todo o universo e suas realidades. O Puma caminha solitariamente, e é assim que parte para sua jornada espiritual. O grande ensinamento do puma é que é o animal com o mínimo de ego, nunca procura ser visto. Você não vê o puma, apenas quando ele já se foi.
  • Chaishuck Pacha: A morada espiritual dos nossos ancestrais (submundo).
  • Chakana (Tawa Pacha): Cruz quadrada andina que simboliza o Cruzeiro do Sul. Os yachacs a consideram como um símbolo sagrado de luz e conhecimento, da proporção e do equilíbrio, como também a união sagrada dos opostos. É o principal mapa ou modelo por excelência em que se baseia a cosmovisão andina, explica o fluxo e a congruência entre a paridade, entre o masculino e o feminino, entre o mundo de baixo e o de cima, o sentido de direita e esquerda, as quatro direções, os quatro elementos, etc. Ele é o pachachaka dimensional mais emblemático e o computador espiritualmente mais relevante.
  • Chakaruna: É uma palavra que denota a metáfora da “pessoa-ponte”, aquela que permite a conexão de duas culturas ou povos. O papel identifica-se com o peregrino que percorre um caminho dedicado ao ensino e à transmissão de saberes tradicionais em contextos fora do local de origem. Em geral, esse personagem é escolhido pela comunidade ou pela panaqa (linhagem) para ser o representante ou o “escolhido” para tal missão.
  • Chaki: Pé.
  • Chaki Pampa: Sola do pé.
  • Chaki Pampa Ñawi: Olho da sola do pé.
  • Chankillo: Um antigo observatório e local cerimonial na costa do Peru, na região de Ancash. É o mais antigo observatório solar nas Américas, que data de 2.300 anos. Treze pedra torres foram usadas para marcar as mudanças das estações do ano.
  • Chaqchay: Mascar a folha de Coca.
  • Ch’amakani: Nome dado ao xamã andino, da região do sul do Peru e norte da Bolívia. Conhecido como o “Senhor da Obscuridade” este adivinho só atua a noite entrando em contato com os espíritos. Ele é um intermediário efetivo entre as entidades tutelares aymaras e o povo, diagnosticando a natureza do problema consultado como se fosse um seriado de rádio, por meio de uma representação dramatúrgica que o especialista realiza nas sombras, incorporando as vozes dos diferentes personagens que são envolvidos no processo.
  • Ch’aska: Estrela comumente associada a Vênus. Também é uma deusa associada ao alvorecer e entardecer.
  • Chaski: Mensageiro.
  • Chawpi (chaupi): Centro. Ponto de interseção. Ponte entre o lado direito (paña) e esquerdo (lluq’i). Caminho do centro na tradição que está ligado a Kay Pacha, com a realidade e a vida terrena. Envolve o ponto de integração entre as energias fora da bolha pessoal e os que estão dentro dela. É também um nome não usual de um centro de energia, que é mais conhecido como Siki.
  • Chawpi chumpi: Cinto energético que envolve o corpo humano na vertical na parte central a frente e atrás. Também é chamado de chumpi de Wiracocha ou kurku ceke.
  • Chekaq Saywa: Verdade. Segundo Saywa.
  • Chicha: É uma bebida ancestral a base de milho feita de modo artesanal. Seu uso era cerimonial, presente nas festas e celebrações desde a antiguidade. Hoje se utiliza como aperitivo o como ingrediente de alguns pratos da culinária peruana.
  • Chinchilliku: Gnomos que protegem as minas.
  • Chinkana: Túnel ou passagem.
  • Chiqchi: Cinza.
  • Chiqyaq: Verde.
  • Chonta: Madeira derivada de uma palmeira que cresce na selva, muito dura e utilizada para fabricação de espadas, lanças, varas e bordunas.
  • Chullachaqui: Ente fantasmagórico guardião dos bosques.
  • Chullaq Saywa: União (quarto Saywa).
  • Chullpa: Múmia. Sarcófago, tumba ou altar funerário.
  • Chumpi: Cinturão ou faixa. Segundo o misticismo andino, existem cinco cinturões de energia que rodeam o poq’po, com o vórtice energético (ñawi) ao centro de nosso corpo. Estes cinturões de energia cercam o Campo de Energia Luminoso (CEL), estes são: yana chumpi, a faixa preta que envolve o corpo no centro siki ñawi; puka chumpi, a cinta vermelha que envolve o corpo na altura de q’osqo ñawi; o kori chumpi, uma faixa dourada que envolve o corpo na altura do centro soncco ñawi; o kolqe chumpi, uma faixa prateada que envolve o corpo na altura do kunka ñawi; e qulli chumpi, a cinta violeta que envolve a cabeça na altura do sétimo olho (qanchis ñawi). Existe um sexto chumpi, que ao contrário dos outros é uma faixa energética vertical central que envolve o corpo na parte da frente e atrás, chamado chawpi chumpi. Da mesma forma – por extensão – “chumpi” é o nome atribuído às pedras com pontas esculpidas, com as quais os paqos realizam suas sessões de cura energética.
  • Chumpi Away: Cerimônia realizada para tecer os cintos energéticos.
  • Chumpi khuyas ou Mullu chumpis: Jogo de sete pedras utilizadas especificamente para o trabalho como os ñawis e chumpis. Estas khuyas são utilizadas para abrir o poq’po, extrair a energia densa e fechar as fissuras de nosso campo de energia, criando uma armadura energética. São utilizadas também para tecer os chumpis e despertar os ñawis (olhos místicos).As khuyas que são usadas e feitas principalmente de alabastro e outras pedras conhecidas como “jiwallas” que têm uma aparência dura, pesada e escura devido aos metais com os quais são feitos. As pedras são esculpidas manualmente por artesãos.
  • Chumpi paqo: Xamã que foi iniciado com as chumpis e é capaz de ativar os centros energéticos de outras pessoas.
  • Choque Chinchay (Chocachinchay, Choquechinchay ou Chuqi-Chinchay): O princípio organizador do Kay Pacha. O Jaguar Arco-Íris, a ponte entre o Céu e a Terra. A constelação das Plêiades que representa os grandes felinos.
  • Churi Inti: Filho do Sol.
  • Chuspa: Bolsa de lã ou pele que os paqos levam as folhas sagradas de coca.
  • Coca: Planta da selva amazônica cujo uso medicinal remonta aos tempos pré-incas e se estende até os dias atuais por toda a área ao redor da cordilheira andina. A coca (Erythroxylum coca) tem propriedades curativas, energéticas e tônicas para a saúde e sua ingestão acompanha os camponeses andinos durante suas tarefas. Também faz parte do emblemático culto durante a cerimônia e oferendas de diferentes tipos dedicadas à Pachamama, para as quais é muito difundido o ritual de juntar três folhas formando a triologia sagrada chamada “Coca K’intu”.
  • Conopa: Objeto ritual esculpido em pedra, típico da cultura incaica, pertencente ao grupo de pequenos ídolos que eram usados para promover a fertilidade de pessoas, plantações e lhamas. Reproduz formas da natureza, como espigas de milho, personagens ou camelídeos (lhamas ou alpacas), recebendo, neste caso, o nome de “illas”. Esses objetos possuem um buraco em sua superfície ou base que representa o culto aos ancestrais e eram usados como recipiente para pequenas oferendas durante os rituais. É um símbolo de proteção e boa sorte.
  • Coya (Qoya): Termo que designa a irmã ou esposa do Inka. Constitui a manifestação feminina de sexto nível da consciência humana.
  • Curandeirismo: A ciência praticada pelo curandeiro. Sistema de medicina popular latino-americana. Curandeirismo mistura crenças religiosas, fé, oração e com a utilização de ervas, massagem e outros métodos tradicionais de cura. Pode ser definido como um conjunto de crenças tradicionais, rituais e práticas utilizadas em curas física, espiritual e psicológica. A meta de curandeirismo é criar um equilíbrio entre o paciente e o seu ambiente, assim recuperando a saúde.
  • Curandero: Personagem relacionado à cura popular ou empírica. O curandero é geralmente formado por sua vocação e às vezes por seu legado de parentesco. O curandero se destaca em sua comunidade como uma pessoa ponte que faz a mediação entre os espíritos do mundo sobrenatural e as pessoas comuns, seu propósito é curar, ajudar no bem-estar e se dedicar inteiramente à sua comunidade.

D

  • Daño: Dano causado pelo layka (malero). É uma forma mágica de ação sobre a saúde e seu tratamento é fundamentalmente mágico. Se o dano é produzido por homens devido a inveja e outros fatores, como o envio por parte do malero, deve se curar o paciente livrando-o dos efeitos produzidos pela influência da magia negra praticada. O dano também pode ser transmitido “por la boca”, quando se ingeriu uma substância que produz efeitos nefastos com os resultados pretendidos, ou “por lo aire”, quando se supõe que foi causado por inalação. Uma forma especial de “daño” é o chamado de roubo da alma. Danos também podem ser realizados atuando-se sobre uma boneca ou um objeto da vítima.
  • Despacho (Dispachu, Haywarisqa ou Haywasqa): É uma prática andina milenária de oferenda a Madre Tierra e outros comensais sagrados. Essa prática consiste em criar um conjunto de representações típicas do contexto, que permite mostrar a reciprocidade (ayni) direcionada à terra. Em geral, o ato ritual é realizado com maior sentido energético com a finalidade de devolver ou restituir à terra as gentilezas ou benefícios recebidos, ao invés de pedir ou desejar algo em troca. Existem em torno de 250 tipos de despacho, os mais habituais são para celebrar Pachamama e os Apus.
  • Dieta: A diferença da dieta moderna ou atual que suprimi alguns alimentos ou faz um jejum geral, a “dieta” de origem andina-amazônica faz alusão a um tipo de retiro iniciático onde é ingerido plantas mestras nativas. O retiro se realiza exclusivamente por um “maestro vegetalista”, curandeiro o “dietero”, porém são as plantas mestras neste caso que ensinam e desempenham uma função fundamental na autocura e formação dos iniciados. O tempo da dieta varia de alguns dias a meses, segundo o propósito que se pretende entre o dietista e o “dietero”. La dieta se realiza geralmente no meio da selva amazônica em uma cabana conhecida como tambo (lugar de descanso) e as cerimônias com as plantas em outra cabana rústica conhecida como maloca.
  • Duplo-anímico: Um aspecto do nosso psiquismo que existe fora do espaço/tempo, em forma simbólica. O duplo se torna real quando vivemos nosso processo inconsciente, sem dúvidas e hesitações, assumindo responsabilidades e viver o que percebemos e experienciamos, independentemente do que outros possam pensar. Sonhar o corpo, algumas vezes chamado o dobro ou o outro, porque é uma réplica perfeita do Sonhador, é intrinsecamente a energia de um corpo luminoso sendo esbranquiçado, como um corpo fantasma, que é projetado pela fixação da segunda atenção em uma imagem tridimensional do corpo.

E

  • Encanto (Encantado): Ser sobrenatural.
  • Enqa: Talismã, rocha ou pedra de forma antropomórfica ou zoomórfica; considerada como totem.
  • Enqaychu: Elemental do fogo. Também é o nome dado a uma pequena pedra, natural ou esculpidas, que lembra um animal ou forma humana, considerado para conter a força e o poder de trazer boas coisas para a sua vida.
  • Entendido: Nome dado ao xamã andino, dependendo da região.

H

  • Hallpay: Mastigar coca;
  • Hamawtta (Amauta ou Hamuyiri): Mestre andino, guia espiritual ou sacerdote. Conhecido também por Yachac. São os sábios andinos primogênitos. Normalmente era o mestre da escola Yachay Wasi (Casa do Saber) dos Inkas, onde a nobreza e a realeza recebiam as intruções e ensinamentos a fim de gerir e dirigir a grandeza do território incaico.
  • Hampi: Energia de cura.
  • Hampikamaioq: Curandeiro.
  • Hampuy: Comando do verbo usado pelos xamãs para chamar um espírito, ou ser da natureza. É a palavra arquetípica andina para chamar os espíritos aliados (yanapaq) que irão ajudar na cura dos participantes de uma cerimônia. Geralmente se chamam os Apus (espíritos das montanhas) a fim de que eles assistam aos yachacs. O ato de chamar é uma característica que representa a força do mestre andino, curandeiro ou xamã, que neste caso, se estiver em sintonia com aliados poderosos, o efeito da cerimônia será mais relevante.
  • Hampuy hampuy: Expressão utilizada ao final de uma oração para ancorar a medicina dos espíritos.
  • Hamuyiri (Hamawtta ou Amauta): Mestre andino, guia espiritual ou sacerdote. Conhecido também por Yachac. São os sábios andinos primogênitos. Normalmente era o mestre da escola Yachay Wasi (Casa do Saber) dos Inkas, onde a nobreza e a realeza recebiam as intruções e ensinamentos a fim de gerir e dirigir a grandeza do território incaico.
  • Hanan Pacha (Hanaqpacha ou Janan Pacha): O mundo superior, uma atmosfera superior acima das nuvens onde habitam os seres espirituais, representado pelos Apus e o Condor. Este é o mundo do abstrato, ligado à nossa supraconsciência, o neocortex;
  • Hapu: União de duas energias que se encontram em perfeita harmonia. Casal sagrado, a melhor forma de yanantin. Um casal sagrado que alcançou o desenvolvimento dos três poderes humanos: mente, coração e corpo (yachay, munay e llank’ay).
  • Hatunsamay: Esta palavra representa o “grande espírito presente no sopro”; ou seja; a força vital presente na respiração humana. O hatunsamay hoje constitui o conjunto de práticas onde a respiração é utilizada como eixo central de diferentes aquisições e aprendizagens, é utilizada para efeito de medicina relaxante, para meditação qhaway, para práticas energéticas de autocura e outras cerimônias de iniciação. Através da respiração deste tipo, a pessoa se purifica, entra em contato, relaxa, entra em transe e amplifica seu estado de consciência.
  • Haywarisqa (Haywarikuy, wilancha, wajt’a ou despacho): Oferenda. É uma prática andina milenária de oferenda a Madre Tierra e outros comensais sagrados. Essa prática consiste em criar um conjunto de representações típicas do contexto, que permite mostrar a reciprocidade (ayni) direcionada à terra. Em geral, o ato ritual é realizado com maior sentido energético com a finalidade de devolver ou restituir à terra as gentilezas ou benefícios recebidos, ao invés de pedir ou desejar algo em troca.
  • Hierbero: Pessoa que conhece as propriedades das plantas medicinais (ervas) e cura com elas.
  • Huaca (Wak’a): É um lugar sagrado por excelência. Neste ponto telúrico das terras andinas, foi que as culturas pré-incaicas e Inkas erigiram inúmeros templos para realizar trabalhos energéticos e espirituais. Estas construções foram distribuídas por todo Tawantinsuyu e estavam unidas pelos cekes. São lugares onde há um véu entre os mundos, em que as percepções ordinárias de tempo e espaço são obscurecidas. São lugares onde o kawsay, a energia original da criação do nosso mundo respira, onde os xamãs podem ver os eventos que aconteceram no passado e ler nossos destinos. É considerado um portal entre os mundos. Huaca também é um dos sinônimos para objetos de poder, mas na TINA preferimos chamar estes de “Artes”.
  • Huari Runa: Povo gigante; povo criado para serem os guardiões do lago sagrado Titikaka.
  • Huarinquero: Nome dado ao xamã andino, dependendo da região. É aquele que trabalha com as lagoas Huaringas. Geralmente é designado especialmente em Huancabamba, cuja cordilheira ficam as mais prestigiosas lagoas do norte andino. Ele se alterna no uso de “maestro hurinjano” e é um termo de distinção para indicar quem trabalha não com uma lagoa, mas com as lagoas sagradas da tradição curandeiril.
  • Hucha (hoocha ou jucha): Energia densa, pesada e obscura, a caminho de um processo de reciclagem. Só é produzida pelos seres humanos;
  • Hucha Miqhuy: Significa “comer a energia intrusa”. Fundamenta-se em aprender a digerir a energia densa (hucha) utilizando o estômago espiritual (q’osqo) para criar fluxos energéticos, sendo um ascendente de energia sutil, e outro descendente de energia densa.

I

  • Ícaro ou ikara: Canto curativo dos xamãs vegetalistas em suas cerimônias de cura e iniciações. Esse canto surge do fundo da alma do xamã e com o tempo, vai tomando forma. O ícaro geralmente vem de cerimônias em estados expandidos de consciência, onde o mestre curandeiro em estado de transe recebe informações do mundo espiritual, a fim de transferir mensagens ou respostas de cura para as pessoas que participam de um ritual. Os ícaros representam um recurso fundamental para a cura durante os estados de transe, eles acompanham, acalmam, relaxam, orientam, amplificam o estado de consciência e ajudam a gerenciar os efeitos da ingestão de plantas mestras.
  • Ichu: Palha.
  • Illa (illia, illya ou iylla): O princípio criativo. Quando adquire fluxo se torna o Kawsay (energia cósmica). A substância que cria a realidade que manifesta-se como fogo e água. Um dos nomes para o Criador do Universo. Luz, luminosidade.
  • Illa Muyu: “Semente Illa” é a sede energética da nossa vontade localiza no nosso corpo na altura do esterno. Ela contém todo o potencial para atingirmos o nosso “verdadeiro eu”. Illa Muyu é uma metáfora na tradição espiritual andina que representa o poder que os seres humanos têm de fazer crescer a luz de dentro, de suas próprias raízes e atributos, com o tempo a semente deve germinar e se desenvolver como uma árvore mágica, frondosa e portadora de sementes de paz, luz e amor universal. Na tentativa de alcançar a iluminação da consciência humana, adquirem-se capacidades e níveis de desenvolvimento físico, emocional, mental e espiritual, que os mestres andinos – por sua vez – têm a responsabilidade de instruir os iniciados da tradição, nesse caminho. de energia viva. De acordo com a Tradição Andina, cada um de nós é portador de uma semente de luz (Illa muyu) que pode ser desenvolvida com o objetivo de alcançar níveis de iluminação espiritual. Segundo a tradição, isso só é possível na medida em que conseguimos trilhar o caminho da energia viva da espiritualidade andina.
  • Illa Hamawttas: Sábios antecessores dos Inkas.
  • Illa Tkisi: Seres luminosos.
  • Illapa: Deus das Tempestades; força telúrica que representa o raio, trovão e relâmpago.
  • Illapa runa: Ser de luz.
  • Illasqas: Seres iluminados, os Mallkus e Ñust’as.
  • Inka (Inca): Imperador, chefe supremo do império Tawantinsuyu. Filho do Sol. A origem do seu nome vem da antiga palavra enqa que significa buraco negro em runasimi.
  • Inkari (ou Inkarri): O primeiro Inka, o sábio mestre lemuriano chamado Aramu Muru ou Meru. Também se refere a linhagem ancestral andina que utiliza a medicina energética. Também é o nome da linhagem ancestral andina que utiliza a medicina energética.
  • Inkas: Grupo pré-colombiano da América do Sul com alta identificação religiosa, cultural e filosófica entre si, que construiu, pela imposição de sua cultura, um império (conhecido como Tawantinsuyu) que incluía regiões desde o extremo norte como o Equador e o sul da Colômbia, todo o Peru e Bolívia, até o noroeste da Argentina e o norte do chile, no período entre 1.200 até 1.533 quando houve a invasão espanhola.
  • Inti: Sol. Na mística andina apresenta um significado que se refere ao espírito do Sol. Inti neste caso é a essência da energia que emana do Sol. As culturas andinas escolheram o Sol como o grande soberano com aspecto masculino que emana a energia da luz, concede a razão e confere sua força a tudo o que existe na Mãe Terra.
  • Inti Punku: Porta do Sol.
  • Inti Raymi: Festa do Sol. Celebrado em 21 de junho como sendo o Ano Novo andino.
  • Intip: Raio solar.
  • Intip Chinkanan: Raio solar poente; direção oeste.
  • Intip Lluqsinan: Raio solar nascente; direção leste.
  • Intiq Churincuna: Irmandade Solar Andina.
  • Intiwatana: Amarrador do Sol, Medidor do Sol ou observatório solar.
  • Itu Apu: Montanha de referência, conhecido também como sua estrela guia. Local de poder. Ser espiritual de origem masculina.

J

  • Jampiri: É o médico de jampi (medicina) que reúne em si conhecimentos fitoterápicos junto com conhecimento claramente ritualísticos e exorcísticos cuja finalidade é expulsar do corpo do enfermo os espíritos responsáveis pela enfermidade.
  • Japhallani: É um xamã andino da região sul do Peru e norte da Bolívia. É um especialista na cura do gado por meio do contato com certos espíritos, os “japhalla”, que podem acabar com as pragas e enfermidades dos bovinos, se não for promovido por meios de oferendas.

K

  • Kallariy Saywa: Princípio (sexto Saywa).
  • Kallawayas: Mestres xamãs andinos do povo Aymara. Eles são possuidores de um profundo conhecimento sobre plantas medicinais e terapias xamânicas. Sua origem se perde na milenária história da civilização andina, mas alguns indícios sugerem que eles surgiram antes do período incaico, durante o esplendor da cultura Tiwanaku, desaparecida no século XI.
  • Kallpa: Refere-se ao vigor ou força pessoal.
  • Kamaq (Camac): Princípio criador supremo da cosmologia andina.
  • Kamasqa (Camasca): É um tipo único e raro de yachac que recebe sua iniciação diretamente do Spíritu.
  • Kanay: Capacidade de ser quem você é.
  • Kancha: Campo, pátio, palácio. Praça.
  • K’anchay: A energia da luz análoga à energia celestial ou o eletromagnetismo em física. É a forma mais elevada de energia espiritual usado pelos curandeiros do Peru. É eficaz, porque ele acessa os reinos intemporais de espírito, permitindo que a pessoa em necessidade de cura para a etapa fora do tempo e experimentar uma sensação de infinito. Nome dado a um método de cura andino que utiliza essa energia cósmica.
  • K’anchaymayu: Rio de luz cósmica. São os meridianos que transportam a energia dentro de nosso corpo luminoso.
  • Kapac Runa: Gente única. Membros da irmandade de Amaru Muru.
  • Kapac Ñan (Qhapaq Ñan): Representa a filosofia do caminho sagrado conhecido como “Caminho dos Justos”. Embora para as pessoas comuns signifique a rede de estradas Inka (trilha Inka), dentro dos círculos espirituais andinos, surge como o caminho sagrado de conhecimento, que geralmente é simbolizado com a cruz andina (chakana) configurada por uma linha diagonal que une diferentes lugares sagrados andinos (huacas) em um vasto território. Foi por este caminho que a figura mitológica de Wiracocha percorreu os Andes, criando o mundo andino e seus povos. É um caminho que vai deste a cidade de Tiwanaku até o Oceano Pacífico (passando por lugares sagrados como: Amantani, Pukara, Raqchi, Cusco Victos e Cajamarca). É considerado patrimônio da humanidade pela UNESCO desde de 2014.
  • K’ara: É uma espécie de halo luminoso que se sente ou se vê como uma manifestação de energia sami (sutil); este pode ter várias cores e a sua identificação só pode ser feita por yachacs poderosos.
  • Karpay: Transmissão energética que conecta a pessoa com uma linguagem ancestral de conhecimento e fornece poder ao indivíduo. É uma palavra chave para entender a tradição andina em seu verdadeiro sentido espiritual. É normalmente associado ao rito de passagem iniciático que geralmente é conferido a partir de um encontro entre um mentor e um karpaq (discípulo), neste ato ritual, porém, é transmitida ou realizada uma troca de poder pessoal que é recíproca para ambas as partes, o que corresponde à prática do princípio de ayni. Isso supõe a transmissão de poder pessoal mútuo, que, diferentemente de outros sistemas verticais de iniciação ou aprendizagem, é realizado a partir de uma base horizontal de poder compartilhado, de modo que a administração da transmissão de poder não seja unilateral ou vertical e apresente um aspecto plano. Para um discípulo é importante receber um ensinamento tanto quanto para um mentor é essencial compartilhar seu conhecimento ou sabedoria, caso contrário a aplicação de ayni ou equilíbrio não teria relevância.
  • Kawsay ou Kausay: Princípio criativo multidimensional e energia animadora do cosmo; energia original da criação, energia vital, luz cósmica; energia viva e dinâmica, pessoal e inteligente que influi diretamente no nível de consciência e de poder pessoal do yachac (xamã). É luminosidade, harmonia, bem viver, cuidar da família, boa sorte, etc.;
  • Kawsay Pacha: Cosmos; aspecto vivo e inteligente da Eternidade que a tudo permeia e que dentro do Ser Humano existe de forma latente, a semente ancestral dos Hamawttas. Mundo imaterial.
  • Kawsay Puriy: Representa uma parte da filosofia do caminho iniciático andino, literalmente interpretado como “caminhar no cosmos da energia viva”. Razão pela qual identifica as pessoas que estão neste processo de iniciação.
  • Kawsay Saywa: Energia vital (primeiro Saywa).
  • Kay Pacha ou Aka Pacha: Mundo mediano ou ordinário, onde habita os seres vivos e tudo que se move pela Terra. É o mundo do sentimento, ligado à nossa consciência, ao cérebro límbico. É representado pela presença do felino sagrado, neste caso o puma no mundo andino dando acesso as montanhas e o jaguar na selva amazônica. O felino representa o espírito guardião que abre a porta para o inframundo.
  • Kimat: É uma ninfa, a rainha do mundo subaquático, que é chamada pelos curandeiros como meio de defesa contra os maleros. Ela surge geralmente quando as tempestades se iniciam.
  • Khuya: Pedra utilizada para curar, em terapias medicinais; toda pedra tem um soncco (coração); a palavra em si, significa amor ou afeto.
  • Khuya Hampiq: Xamã andino que trabalha com os espíritos das pedras, das montanhas e com os poderes das plantas para curar. É o curandeiro das pedras.
  • Khuyay: Vida infundida com paixão.
  • Kichay: Abrir ou destampar.
  • Kiku q’illu ou killmu: Alaranjado
  • Killa: Lua.
  • Killaqhaway: Refere-se à arte de contemplar com a lua até ser um com ela, compreendê-la em sua essência e significado espiritual geralmente confere energia com aspecto feminino e move o fluxo da evolução a partir dessa aquisição.
  • Kimsa: Número três, sagrado. É uma vibração esotérica presente na criação universal e se manifesta em quase tudo (criação, desenvolvimento e destruição; positivo, negativo e neutro; AUM, etc.).
  • K’intu: Trinca de folhas de Coca, indispensável nas oferendas andinas.
  • K’isñiy: Ponto de aglutinação.
  • Kolqe ou Qullqi: Prata.
  • Kolqe Chumpi: Cinturão energético localizado na linha da garganta. Significa cinto prateado e é associado a lua e ao vento
  • Kori ou Quri: Ouro.
  • Koricancha: Templo de Ouro, chamado pelo Inkas de Templo do Sol.
  • Kori Chumpi: Cinturão energético localizado na linha do coração. Significa cinto dourado e é associado ao Sol.
  • Kori Kamaq: Energia dourada criadora localizada na base da espinha dorsal, cóccix, em estado dormente.
  • Kuka Williri: Significa “aquele que esparrama” as folhas de coca ao chão e deduzem a resposta por meio de uma precisa técnica oracular.
  • Kukuchi: Espectro, fantasma, alma condenada.
  • Kulli: Roxo.
  • Kuna: Sufixo do plural em runasimi. Equivalente ao “s” em português. Ex: apukuna.
  • Kunan Pacha: Tempo presente.
  • Kunka: Garganta, pescoço. Voz.
  • K’uychi (Kuychi): Arco-íris.
  • Kuntur: Nome em runasimi dado ao Condor, a maior ave voadora, de cor negra com algumas penas rajadas de branco.
  • Kuraq Akulliq: Xamã andino visionário que trabalha primariamente com o Hanan Pacha e com os filamentos energéticos celestiais, a energia divina. É o quarto estágio, o mais elevado que um xamã andino pode atingir. Kuraq Akulliq significa Grande Anciã(o) ou Mestre da Sabedoria Ancestral. A tradução literal é “Grande Mastigador(a) de Folhas de Coca”. Também são conhecidos por usar terremotos e outras energias da natureza para criar transformação.

L

  • Layka: Nome dado a um xamã andino. É um feiticeiro que opera essencialmente com as forças negativas. Ele é o especialista em produzir magicamente o dano (danõ), porém também é capaz de liberar os feitiços por meio de tikrapu (contra-feitiços).
  • Lauqa: Nome dado ao xamã andino da região do sul do Peru e norte da Bolívia. Apresenta um caráter bivalente, ao executar práticas terapêuticas e propiciatórias junto com as mágico-negativas. Quando se quer expressar apenas a sua função maléfica, se usa o termo layqa ch’iwi que significa “Senhor das Trevas”.
  • Limpia: É uma cerimônia de limpeza com a intenção de livrar uma pessoa de má sorte, doença ou feitiçaria. Ela consiste em esfregar o corpo do enfermo como objetos da mesa do yachac, como também com flores ou ovo de galinha caipira. Em determinados casos esfrega-se o cuy (porquinho-da-índia) no corpo, para absorver a doença e ao final sacrifica-o, ou o joga na correnteza do rio. Pode-se também realizar a limpia com varas de madeira de chonta, principalmente nos casos de amarração amorosa. Para finalizar essa cerimônia o paciente deve sempre ser banhado nas águas de um rio ou lagoa.
  • Llamp’u: Gordura extraída do peito da lhama utilizado na mesa de oferendas dos yatiris (xamãs aymaras) aos comensais sagrados.
  • Llank’ay: Um dos três poderes humanos ou dom (junto com munay e yachay) que correspondente a capacidade de realizar trabalho físico, ação. Também corresponde à vontade, poder e intenção. Representa um dos códigos mais importantes da tradição espiritual andina, refere-se ao valor essencial que a atividade ou o ato de fazer adquire como meio de transformar o pensamento em realidade. Através do llank’ay, o pensamento se transforma em fatos concretos, associa-se também à experiência, ao movimento e ao dinamismo.
  • Llank’ainiyoq: É a pessoa que conhece ou exercita sua vida com passos concretos, que apresenta um equilíbrio entre pensar, sentir e agir. Llank’ayniyoq representa o valor concreto de quem se dignifica com trabalho ou atividade, que transforma o mundo com seus atos ou ações. Que demostra a si e aos demais que há coerência entre os feitos, o pensamento e as palavras.
  • Llank’aq Runa: Os trabalhadores.
  • Llanthu: Sombra. Penumbra ou trevas.
  • Llanthu Kawsay: Energia viva leve.
  • Llasaq Kawsay: Energia viva pesada.
  • Llipta: É uma massa formada por uma mistura de cal e cinzas de Kiwicha ou quinua, que se põe na boca no momento de mascar a folha de coca para facilitar a extração dos alcaloides desta planta.
  • Lluq’i (Lloq’e ou lloke): Caminho conectado a Consciência do Outro Eu, associada com o mundo espiritual, a realidade não-comum e o desdobramento de energias desconhecidas que estão sempre presentes em todas as coisas. Está ligado a Ukhu Pacha (Mundo Profundo). É o caminho da esquerda, do poder da magia e do mundo mágico, ligado ao feminino. Desenvolve o trabalho energético interno (sob a pele física). É considerado o lado mágico-prático e conecta esse aspecto metafísico com a vida cotidiana. Desenvolve em nós o qhawaq, a abertura da visão superior. Este é o trabalho mágico e prático de dominar ativamente as energias dentro de sua bolha pessoal (poq’po) e tecer ainda os chumpis e despertar os ñawis para integrar graciosa e profundamente sua bolha de energia pessoal e corpo físico.
  • Lluq’i Ñawi: Olho esquerdo. Conhecido nas tradições espirituais como olho mágico.
  • Lluq’simuy (lluq’sichimuy): É uma palavra usada no mundo espiritual andino através da qual se convida a energia pesada a sair e se transmutar no contexto da reciclagem. As energias densas, tóxicas e desgastadas encontram o caminho da libertação e transcendência através da repetição sustentada deste taki (mantra andino).

M

  • Mach’aqway: Constelação andina da serpente.
  • Mach’ay: Caverna.
  • Machu: Ancestral. Velho. Espírito antigo.
  • Machu Picchu: Significa montanha velha, porém também chamada de cidade iniciática, cidade Luz, cidade do Arco-Íris, cidade de Cristal, etc.
  • Machula: Espírito protetor de uma família ou linhagem, porém se caracteriza por carregar consigo uma força muito ancestral.
  • Maki: Mão.
  • Maki Pampa: Palma da mão.
  • Maki Pampa Ñawi: Olho da palma da mão.
  • Malero: Feiticeiro, aquele que faz o mal.
  • Mallki: Árvore. Associa-se com os espíritos que habitam estes seres. Os mallkis são considerados mestres espirituais que nos falam em silêncio e na meditação visionária (qhaway).
  • Mama: Nome feminino de espírito ou deidade. Todas as plantas, animais, lagos, rios, montanhas e fenômenos meteorológicos possui tal espírito. O sufixo-mama, acrescentado ao nome de qualquer animal, é utilizado para designar um gigantesco protótipo da espécie ou diretamente associados a eles.
  • Mama Allpa (Allpa Mama): ventre de nosso mundo (Kay Pacha). Deusa da fertilidade representada com vários seios.
  • Mama Coca: A planta da coca (Erythroxylum coca) é atribuída a um espírito feminino e maternal porque, segundo as tradições, é a planta com maior simbolismo e experiência materna de outras plantas. Mama Coca apresenta-se como um medicamento que alivia a dor, acalma e traz serenidade.
  • Mama Coccha: Mãe d’água, dos lagos e oceanos.
  • Mama Killa (Mama Quila): Grande Mãe Lua, a senhora das emoções. Manifestação da energia feminina divina.
  • Mama Occlo: Primeira Inca, filha do Sol, também conhecida como Amara Mara.
  • Manco Kapac: Primeiro Inca, filho do Sol, também conhecido como Amaru Muru.
  • Mamantuá (Mamatuá): A Mãe de todos os seres humanos, na Amazônia.
  • Mapacho: É o tipo cigarro amazônico que se caracteriza por sua cor marrom escura ou de aspecto negro e sem filtro. Utiliza-se durante as cerimônias xamânicas.
  • Mariri: É um termo muito utilizado no contexto da medicina tradicional amazônica peruana e refere-se a uma substância viscosa ou catarro que cada “mestre curandeiro” acumula ao longo de seus anos de prática, isso recai principalmente através de suas dietas e experiências com plantas medicinais diretamente. O catarro do mariri durante anos se acumula no trato digestivo e é algo comparado a um poder de natureza energética que o xamã manifesta quando realiza curas. O maestro curandero em cada cura extrai de seu poder de mariri a medicina que mais tarde compartilhará com seus pacientes ou discípulos. Desta forma não convencional por via direta à boca do iniciado, significa transmissão de conhecimento, embora se tenha uma nuance radical e até repulsiva é uma prática comum na Amazônia. Também é conhecido como “yachay” em algumas regiões.
  • Masichakuy: Ato de juntar energias. Transferência de energia. Conexão.
  • Masintin: Energia similares. Uma relação de duas energias semelhantes. Uma relação harmoniosa. Homólogos. Uma energia complementar. “Yanantin é o anel, masintin é a ressonância no interior do anel”.
  • Mastana (Mestana): Manta de origem andina de uso cerimonial, embora as mulheres indígenas a usem da mesma forma que uma vestimenta que colocam em cima dos ombros. Seu uso cerimonial é difundido nos Andes do sul do Peru, acompanhando os rituais de dispachu, mesas cerimoniais e leituras de oráculos como a folha de coca. Uma qualidade desses tecidos é a iconografia baseada em corantes naturais, que apresentam desenhos que são chamados de “tocapus” e que representam em grande parte a cosmovisão espiritual andina latente e duradoura ao longo dos séculos.
  • Mast’ay: Harmonia. Reconfigurar, reestruturar ou reorganizar.
  • Mesa (misa): Altar sagrado do xamã andino, onde ele guarda seus objetos sagrados, “artes”. Pacote de poder pessoal, tipo uma sacola de medicinas em outras tradições ameríndias. A mesa varia em sua composição e montagem dependendo do local onde é feita. As mesas geralmente são compostas de pedras curativas, quartzo, amuletos, talismãs, cruzes, chontas, tecidos coloridos, fitas, pêndulos e outros objetos de poder. A mesa cuzqueña (de Cusco), por exemplo, é do tipo portátil e é feita com uma manta (mastana) para montar uma embalagem quadrada na qual são colocados em seu interior os objetos de cura úteis para um determinado momento. A mesa norteña (do norte do Peru) é um espaço sagrado bastante aberto onde o xamã faz uso de uma “mesa” de madeira e sobre este espaço são colocados os objetos de cura.
  • Mink’a: Trabalho coletivo realizado para o bem comum.
  • Miqhuy (mikuy): Comer ou digerir. Processo de cura utilizado para extirpar a energia densa e intrusa.
  • Misa lluq’i: Mesa da esquerda. É utilizada para finalidades mais concretas e práticas como curas ou iniciações. Conhecida também pelo nome de chumpimisa. É uma das ferramentas de trabalho por excelência do xamã andino, este pacote contém em seu interior exclusivamente o conjunto de pedras chumpis.
  • Misa panã: Mesa da direita. Esta mesa conecta o paqo com seu mentor e as huacas (locais de poder), e através dela, o xamã move o kawsay da sua linhagem mística. É onde ficam depositas as khuyas herdadas de seu mentor e de pedras recolhidas de lugares sagrados.
  • Misani: É um especialista em fazer oferendas em uma misa.
  • Misayuq: Mentor do iniciado na tradição andina.
  • Miscayani: Cidade mítica que é o equivalente feminino de Paititi.
  • Mishau: Nome dado ao xamã andino, dependendo da região. Ao pé da letra significa alguém que está sob o efeito das mishas (psicotrópicos em geral) ou que é sensível a elas e desenvolve a capacidade de ver. É um dos sinônimos de “vidente”.
  • Mita: Pagamento de tributo.
  • Mochica: civilização pré-Inka nos Andes, surgida por volta de 200 a.C.
  • Mukis: Guardiões das cavernas e dos metais preciosos.
  • Munaq Runa: Praticantes do amor.
  • Munay: Um dos três poderes humanos ou dom (junto com llank’ay e yachay) que correspondente ao amor, alegria ou compaixão. A expressão do coração, é o amor fundamentado na vontade. Representa bom gosto, encorajamento e vontade, está associado ao desejo e ao amor. No mundo andino refere-se a uma qualidade de sentimento onde o amor e a vontade se fortalecem, de modo que uma parte importante da decisão é dada à capacidade de amar. O amor pode surgir de maneira espontânea e incondicionalmente, mas em um estágio posterior é aceito e administrado inteiramente pelo poder da vontade.
  • Munay Saywa: Amor (sétimo Saywa).
  • Munayniyoq: Categoria que se refere à capacidade de se dar, servir e dar amor em abundância. Esse personagem atingiu o nível em que se permite oferecer ao mundo o que sente em seu coração, então intervém com autenticidade e uma grande demonstração de humanidade e compaixão.
  • Mur: Seres que eram responsáveis pela organização da vida na Terra e de suas dimensões. Estes entes mantinham contato direto com o Grande Mistério.
  • Muru: Multicolor, várias cores.
  • Muyu: Semente.

N

  • Nagual (Nahual): O outro eu, duplo-etérico. Nagual é uma pessoa com a configuração de energia dupla. Um homem com ego é motivado por um desejo psicológico. O Nagual não tem nenhum. Ele recebe ordens de uma inefável fonte que não pode ser descrita. Ele não pode ser ofendido, ser ciumento, possessivo – ele pode não ser nada. É um conduíte do Spíritu. Ela está conectado a uma energia perene que existe no Universo. Ele é o desconhecido.
  • Ñawi: Olhos de luz, centro energético do Campo de Energia Luminosa. Significa olho. No nível da medicina energética, refere-se a um centro de energia que está localizado em diferentes níveis do corpo humano. É consistente com o termo chacra oriental, embora em muitos casos a localização varie de acordo com o modelo de fluxo de energia em que se baseiam os diferentes mapas de energia.
  • Ñawi Kichay: É um tipo de karpay onde são despertados os ñawis (olhos) e tecidos aos chumpis (cinturões). É a abertura, alinhamento, ativação e sintonia dos ñawis principais entre si.
  • Ñawpa: Palavra runasimi que faz referência a algo muito antigo ou ancestral.
  • Ñawpa Ayllu: Antepassados.
  • Ñawpa Pacha: Tempo antigo. Passado.
  • Nina: Elemental do fogo.
  • Nina runa: Entes conhecidos pelo nome de “Povo do Fogo” que vivem no interior dos vulcões, geralmente são vistos como luzes voadoras em cima das crateras antes destes entrarem em erupção.
  • Nokan Kani: Significa “Eu sou quem eu sou”.
  • Nunag Saywa: Espírito (quinto Saywa).
  • Nuna Illariy: Despertar da alma, ou o primeiro raio da aurora da alma. Termo usado para descrever a jornada xamânica, uma experiência consciente fora do corpo ao longo de um raio de luz.
  • Nuna Punku: Porta da alma.
  • Ñust’a (Ñusta): Este termo, por um lado, é o equivalente a princesa ou sacerdotisa Inka, que se caracteriza pela fluidez de energia muito fina, embora, por outro lado, descreva o aspecto feminino de um lugar sagrado (huaca). Dessa forma, a presença de Ñust’as é mais intensa nos lagos, lagoas, rios, nascentes, montanhas femininas e altares antigos ou naturais, que ressoam com a qualidade da energia que flui na Pachamama.

O

  • Ondinas: espíritos que vivem atrás das cachoeiras e em outras fontes de água.
  • Onkoy: Comunhão.
  • Otorongo (Uturunku): Jaguar. É considerado pelos yachacs, o guardião da floresta e do portal entre os mundos;

P

  • Pacarina (paqarina): É uma abertura no espaço-tempo que se acredita ser o ponto de entrada e saída entremundos. É considerado um portal para o reino da criação. São lagos, cavernas e montanhas a partir do qual diferentes povos surgiram após o Unu Pachakuti (dilúvio universal). Pacarina também é um ser elemental das águas.
  • Pacha: Mundo ou Cosmos.
  • Pachacamac: Princípio criativo supremo, o que anima o mundo, entidade cósmica, senhor do Cosmos, que governa todas as coisas.
  • Pachachaka: Termo que se refere a uma ponte física. No nível espiritual refere-se a uma ponte do tipo “cósmica” que permite a conexão entre os diferentes planos dimensionais. Através dessa ponte cósmica, as cerimônias são aprimoradas e as curas chegam com maior poder. A abertura desta ponte cósmica se realiza através dos despachos e dos ritos de iniciação andinos.
  • Pachacuteq: Foi o maior líder espiritual do Inkas que imperou no oitavo Pachakuti.
  • Pachacuti (Pachakuti): Significa “volta do tempo” (retorno do tempo). É um conceito utilizado para simbolizar mudanças, os eventos cósmicos que afetam nossa conexão do Ser e o Universo, e de reorganização social. É também o nome do nono imperador Inka que governou o Tawantinsuyu e teve a humilde ideia de trocar seu nome por Inka Pachakuteq e assim atribuir seu nome a era de ouro incaica com a construção das principais huacas (locais de poder) Inkas. Desta forma, para os povos andinos, este nome significa uma transmutação cósmica que acontece entre uma era e outra. Um Pachakuti nos dá o ponto de encontro entre consciência humana e o kawsay (energia cósmica viva), e é nessa interseção que se forja uma nova direção na evolução espiritual.
  • Pachamama: Mãe Terra ou Cósmica. O espírito da Terra no seu aspecto feminino, é o arquétipo da Deusa. Energia feminina universal que trabalha com o sangue, com o nascimento e a morte. É considerada a fonte da vida e de toda criação. Consequentemente Pachamama é descrita como Mãe Terra, ela é por sua vez é o mundo, o universo e também o tempo e o espaço.
  • Pachaqhaway: É concebido como a disciplina do qhaway, da arte do vidente (vidente). É a arte-disciplina da contemplação do cosmos, através da qual se vive no presente contínuo e atende a realidade com fluidez, razão pela qual essa capacidade de operação permite reciclagem e retroalimentação contínuas com seu próprio contexto. A arte do pachaqhaway é a coisa mais próxima da meditação ocidental e oriental, mas a diferença entre essas disciplinas, é que no pachaqhaway se “medita fazendo”, ou seja em movimento, razão pela qual é conhecido como meditação dinâmica, ativa ou de fluxo.
  • Pachatata: Pai Terra.
  • Pachawawa: Significa “filho da Terra” na língua aymara.
  • Pago: Significa “pagamento”. Um dos nomes dado as oferendas para os encantos (comensais sagrados).
  • Paititi: Cidade mítica de Inkari que se encontra na quarta dimensão, apesar de muitos acreditarem que encontra-se na selva amazônica e guarda o tesouro perdido dos Inkas, sendo conhecida nas lendas como Eldorado. Equivalente masculino a cidade de Miscayani.
  • Palmero: O que usa varas de palmeira; ou seja; chonta. Sinônimo de curandero.
  • Pampamisayuq (Pampa mesaioq): Xamã andino que tem uma relação indireta com o sobrenatural, sua relação principal é servir a Pachamama, a Mãe Terra. É o segundo estágio de sua iniciação, quando passa a conversar com os Apus e envolve o uso de plantas medicinais, a leitura das folhas de coca, o uso de talismãs e pedras, o trabalho com os Apus, animais, plantas, árvores, lagoas e rios, mas, acima de tudo, ele ou ela é um especialista em rituais de oferenda e honra a energia da Terra, particularmente à energia feminina de Pachamama.
  • Paña (Panya): Caminho ancestral ligado à nossa Consciência Ordinária, e ao masculino. É parte direita da tradição andina. Trata da relação entre o poq’po (bolha energética ou campo de energia) e a realidade energética externa (kawsay pacha). Concentra-se em envolver, dominar seu corpo energético e trabalhar as energias fora de sua bolha de energia pessoal. Trabalha a dinâmica energética de ayni, masintin e yanantin, misa e o despacho.
  • Paña Ñawi: Olho direito. Conhecido na tradições espirituais como olho místico.
  • Panaca (Panaqa): Refere-se à linhagem ou estirpe de uma família, embora hoje seja aceito por extensão aos membros que são adotados dentro de um grupo ou clã a cargo de um mestre espiritual, por exemplo.
  • Papatuá (Papamtuá): Pai Céu, na Amazônia. O que cuida de todos.
  • Paqarina (pacarina ou nust’a): É uma abertura no espaço-tempo que se acredita ser o ponto de entrada e saída entremundos. É considerado um portal para o reino da criação. São lagos, cavernas e montanhas a partir do qual diferentes povos surgiram após o Unu Pachakuti (dilúvio universal). Pacarina também é um ser elemental das águas.
  • Paqo (Paq’o): Palavra que significa curandeiro ou sacerdote, é um xamã q’ero. A palavra “paqo” é de origem runasimi e vem da palavra paqucha, que é o potro de alpaca recém-nascido e macio. Nasce completamente puro, inocente e com a lã mais macia dá os primeiros passos no mundo. Da mesma forma, os paqos se esforçam para andar neste mundo, como um bebê recém-nascido ou potro de alpaca que sem medo vê o mundo através do coração em brincadeira, pureza e suavidade.
  • Paq’o Wachu: Peregrinação sagrada em busca de uma visão.
  • Paqaricu (Pacaricu): Rito da morte que dura cinco dias e constitui na preparação do corpo para o enterro.
  • Para: Chuva.
  • Pichay: Varrer, limpar.
  • Pichaymaki: Limpeza das mãos.
  • Phausi runa: Seres brincalhões das cachoeiras.
  • Phukuy: Sopro ritualístico que se realiza sobre um objeto de poder ou k’intu de folhas de coca, cuja finalidade é estabelecer uma conexão energética entre o xamã e um lugar, pessoa ou objeto.
  • Phutuy: Brotar, florescer. Desenvolver.
  • Pichquri: É um especialista em “frotacion” (fricção) de doentes por meio de ervas, cuja finalidade é extrair o mal, seu nome deriva de pichqa (limpeza ou purificação).
  • Pisqa: Cinco.
  • Pongo: Termo que designa o terapeuta adivinho da região de Ayacucho. Geralmente ele é chamado ao seu ofício diretamente pelas entidades tutelares das montanhas, os wamani. Sua função consiste em fazer a conexão comunicativa entre o mundo espiritual andino com o material. Na mesma região existe outro tipo de curandero chamado “qampekuna”, que não é inspirado de forma direta pelos wamani, porém usam outras formas mánticas como as folhas de coca, a flotação de cuy (preá ou porquinho da índia) ou utilização de cartas.
  • Poq’po (puq’pu): Bolha energética ou Campo de Energia Luminosa (CEL) que nos rodeia e é parte de nosso sistema. Seu uso é amplo no contexto da medicina energética andina.
  • Psicopompo: É o “condutor de espíritos”, uma das funções dos xamãs e outros sacerdotes, como também atributos de dezenas de divindades.
  • Puka: Vermelho.
  • Puka Chumpi: Cinturão energético localizado na linha do estômago. Significa cinto vermelho e está associado ao elemento terra.
  • Pukinas (Puquinas): Segundo estudos arqueológicos e etnográficos foi a civilização mais antiga da América do Sul que viveu entre os anos 18.000 até 9.000 a.C. no altiplano andino e nos cânions da região de Moquequa e Arequipa no Peru. É também a língua materna aymara, que os Inkas utilizavam para discutir os mistérios da arte da cura.
  • Pukio: Fonte. Ponto de transmissão da energia vital, localizado na fontanela ou molera.
  • Pukllay: Jogar. Recreação. Confrontação de poder.
  • Punchaw (Pukara): Nome do disco solar Inka dado por Wiracocha a Manco Capac, é uma criança andrógina que um arquétipo de Deus; também e outro nome para designar o Deus Sol (Inti).
  • Punku: Nome dado ao xamã andino, dependendo da região. Refere-se a um nível espiritual para uma porta ou portal.
  • Pupu: Umbigo.
  • Puriq: Refere-se àquele que caminha, caminhante ou peregrino. Mas este caminhar corresponde a uma categoria espiritual especial que vai além do simples caminhar. Com este processo, o iniciado realizará os passos necessários para transformar sua visão em realidade, para transformar sua teoria em prática, para aprender as artes iniciáticas ao longo de sua jornada.
  • Pututu: Concha utilizada como instrumento de sopro nas cerimônias xamânicas nos Andes.
  • P’uku: Significa prato, nome também dado a Terra porque se entendia que flutuava num mar que a circulava.

Q

  • Qanchis: Sete.
  • Qanchis Ñawi: Sétimo olho.
  • Qanchispatañan: “Escadaria dos sete passos” da evolução consciente.
  • Qaquri: Xamã andino especialista em “frotacion” (fricção) por meio de amuletos e gorduras de animais.
  • Qarpay Qolqe Punku: Banho ritualístico de renovação realizado pelo paqos q’ero.
  • Q’ero: Etnia andina que vive nos arredores da montanha sagrada ancestral de Ausangate, no Peru. Para o Q’ero, a vida é um mistério a ser vivido, não um problema a ser resolvido.
  • Q’enti (Kenti): Beija-flor. Animal que simboliza a alegria e a sabedoria ancestral. Simboliza a capacidade do xamã para sugar patógenos mágicos de vítima de feitiçaria.
  • Qhari: Masculino; homem. Forte; viril. Enérgico.
  • Qhawaq: Vidente. Aquele que tem a capacidade de ler as impressões do poq’po alheio, o Campo de Energia Luminoso (CEL) e a natureza luminosa da vida.
  • Qhaway: Visão mística. É a arte do vidente, de quem vê, de quem abriu o canal da visão. Meditação andina.
  • Qollqa,Qullqa (Collca): Armazém ou depósito.
  • Qora: Plantas.
  • Qoya: Mulher sagrada. Rainha. A consorte do Imperador Inka. A primeira delas foi Amaru Mara, a contraparte feminina do Sapa Inka, Aramu Muru.
  • Q’osqo: Estomago espiritual da nossa bolha de energia; nosso centro energético mais importante. Ele nos conecta com nosso Poq’po (Campo de Energia Luminosa) e com todo Universo, trocando energias. É por onde controlamos o fluxo de energia que entra e sai de nós em relação ao mundo externo. Segundo as tradições, o q’osqo é o centro de transmutação de energia, onde as energias são recicladas de pesadas a finas. Este conceito permite afirmar o plano de reciclagem e troca de energia em que se baseou a medicina andina.
  • Qillu: Amarelo.
  • Qualias: Aspectos. As características da materialidade, como textura, densidade, tamanho, e assim por diante.
  • Qullasiri: Corresponde ao curandero e se aplica aquele que é esperto em remédios e práticas rituais terapêuticas, posto que a maioria das enfermidades tem origem sobrenatural.
  • Qulli Chumpi: Cinturão energético localizado na linha da cabeça envolvendo nossos olhos. Apesar do significado ser cinto violeta, esta faixa não tem esta cor. Às vezes, apenas para facilitar a referência, é chamado de cinturão violeta porque no final do karpay você puxa a luz violácea para o seu poq’po através do sétimo olho (qanchis). Mas você move essa luz violeta por todo o seu poq’po e corpo, não apenas pela área dos olhos da sua cabeça.
  • Qullqi ou Kolqe: Prata.
  • Qullqi hina: Prateado.
  • Quri (Kori ou Qori): Ouro.
  • Qurichisqa: Dourado.
  • Quyu: Cor verde.

R

  • Ratamur: Capital do império Mur na Amazônia.
  • Rimay: Poder da vocalização energética. Falar com integridade.
  • Runac Allincapac: Sábios americanos primogênitos.
  • Runa Kurku k’anchay: Casulo energético que se refere ao corpo de luz que é justaposta com o corpo físico, mas na aparência de ovo luminoso.
  • Runapmicuc ou cauchus: Maleros (feiticeiros) que atuavam a noite roubando e utilizando ossos de pessoas mortas para prepararem com sangue uma comida que se convertia em carne e era consumida por eles. A pessoa que era vítima do feitiço morria dentro de três dias. Runapmicuc significa “aquele que come homens”, principalmente crianças.
  • Runasimi: Antiga língua falada pelos Inkas e pela maioria dos povos andinos que significa “linguagem humana”, erroneamente chamada de quéchua, sendo que esta última é uma mescla do runasimi com o castellano.

S

  • Sabio: Nome dado ao xamã andino, dependendo da região.
  • Sachamama: A Deusa-Serpente e das emoções. Anaconda ou sucuri. Senhora da Selva. Seu nome significa Mãe Árvore. É o poder da fertilidade, que no mundo superior é o arco-íris, aqui no terrestre a árvore, e no subterrâneo é a serpente de duas cabeças, uma em cada extremidade – duas saywas (colunas energéticas).
  • Samay (Saminchay): Sopro abençoado dado pelos xamãs andinos.
  • Sami: Energia sutil, refinada. É o aspecto puro ou fino da energia que flui no cosmos vivente (Kawsay Pacha). Os yachacs usam o q’osqo para tirar a energia refinada da natureza ou do Hanan Pacha. Fortuna, alegria, sorte, felicidade, essência, energia vital universal feminina.
  • Saminchakuy: Fluxo descendente de energia sutil (sami) procedente do Cosmos, que atravessa nosso campo energético, para limpá-lo da energia densa (hucha), a qual é entregue a Pachamama para que ela se alimente.
  • Sapa Inka: Nome comum referido ao governante máximo, o de maior poder, o soberano e iluminado Imperador Inka. O primeiro deles foi Amaru Muru, a contraparte masculina de Qoya, Amaru Mara.
  • Saphi: Raiz.
  • Saqras: Espíritos travessos que estão por toda região subterrânea (Ukhu Pacha).
  • Saramama: Mãe das Sementes.
  • Sayiri: Significa “o que faz falar”, por esta razão este nome é dado a um xamã andino especialista nas comunicações com as entidades sobrenaturais que, nas sessões divinatórias, fazem escutar sua voz num contexto cultural parecido ao das consultas dos wamanis da região de Ayacucho no Peru.
  • Sayri: Rapé exclusivamente de tabaco.
  • Saywa: Coluna de energia que une os três mundos andinos (Hanan Pacha, Kay Pacha, Ukhu Pacha); são antenas gigantes de puro cristal, hoje chamadas de obeliscos, que eram utilizadas para viajar entre dimensões. O saywa refere-se a gerar uma coluna de energia viva que pode conectar um campo da terra, e que se eleva para alcançar o Mundo Superior.
  • Saywachakuy: Fluxo ascendente de energia procedente da Mãe Terra, que atravessa nosso poq’po, Campo de Energia Luminosa, fortalecendo-o.
  • Shipibo-Conibo: Etnia que habita a Amazônia peruana, as margens do rio Ucayali.
  • Shuar: Tribo amazônica que vive no sudeste equatoriano e nas encostas orientais da cordilheira andina peruana. No passado eram conhecidos por encolherem as cabeças dos inimigos, prática que não é mais realizada. Também são conhecidos como Aguarunas, Awajun, Huambisas ou Jivaros.
  • Sikit’oqo: Região anal.
  • Singada: É uma cerimônia que consiste em sorver pelas narinas tabaco macerado em álcool. Serve para fortalecer a pessoa, oferecendo-lhe proteção, sorte e saúde. Ela fortalece principalmente a sombra do indivíduo. Pode também ser adicionado ao tabaco, mel, perfume, vinho e em alguns casos sumo de Wachuma. Xamãs do norte do Peru afirmam que a singada alimenta a sombra de uma pessoa, dando-lhe poder, fortalece o espírito e fornece proteção. Esse pensamento é compartilhado com o de tribos amazônicas que utilizam o rapé de tabaco.
  • Singar: Ato de aspirar suco de tabaco pelo nariz.
  • Sinkuku:  Giro.
  • Sirena: É um ente com a parte superior de mulher e a inferior de peixe, que protege os rios ao lado de seu esposo, Yacuruna. Sua personalidade é ambivalente, por um lado são protetoras do meio que habitam e por outro são consideradas maléficas, enfeitiçando os homens que pescam mais do que o necessário e os afogam. Alguns ao verem sua beleza, mergulham em uma nostalgia e tristeza profundas, e se não voltam a vê-la, se sentem atraídos pelas águas do rio e lagos, onde a viram anteriormente.
  • Siriq Pacha:Futuro.
  • Soncco (Sunqo ou Sunqu): Coração.
  • Soncoyoc: Nome dado ao xamã andino, dependendo da região.
  • Soqta: Seis.
  • Spíritu (Tayta Yaya): Espírito. Essência inteligente incriada, que anima as formas de vida.
  • Sullu: Feto de lhama, alpaca ou vicunha utilizado em despachos e na mesa de oferendas, sendo que os Kallawayas da Bolívia preferem utilizar ovos caipira substituindo os fetos.
  • Sulpayki: Palavra que significa agradecimento ou simplesmente dar “gracias” (obrigado). Se emprega de igual maneira para se despedir dos espíritos aliados, convidando-os a fechar e encerrar o processo de cura ou cerimônia.
  • Sumaq Kawsay: Literalmente significa bela energia, porém é empregado como bem-estar, principalmente na relação com a Mãe Natureza.
  • Supay: O deus do inframundo (Ukhu Pacha), é uma serpente que simboliza as forças da fertilidade e a energia viva do subsolo.
  • Suyu: Região; estado; país; território; zona.

T

  • Tabaquero: Um dos nomes dado ao xamã andino. É “O que usa tabaco”, o que cura com tabaco. É sinônimo de terapeuta tradicional e se refere ao costume singar (de aspirar suco de tabaco pelo nariz) ou o emprego do tabaco nas operações terapêuticas para eliminar contágios do corpo do enfermo e “endurar” (fortalecer) sua “sombra”.
  • Taki Onkoy: Foi um movimento de renovação, basicamente espiritual, que surgiu espontaneamente por parte dos indígenas, que com a nova lei religiosa católica (dos invasores) foi impedido de realizar suas cerimônias e rituais para com suas próprias divindades, Apus e oferendas à Pachamama. Estima-se historicamente que tenha durado em torno de sete ou oito anos, entre 1564 e 1572, e que inicialmente teve sua origem em Ayacucho, com um líder indígena chamado Chocni. Os propósitos dessa insurgência foram principalmente: a expulsão do invasor, a luta contra todas as formas de coerção e injustiça, o abandono de toda prática religiosa católica e o restabelecimento das huacas andinas (lugares sagrados de culto). Será por esta última razão que o movimento foi inicialmente conhecido como a “rebelião das huacas”, pois representava o apelo dos próprios lugares sagrados (das próprias divindades), a fim de restaurar a ordem e a espiritualidade autêntica que estava sendo subjugado por outro modelo estrangeiro. Naquela época, acreditava-se que as huacas estavam deixando de expressar seu próprio canto sagrado, razão pela qual o caos reinante – devido à nova ordem religiosa – estaria degenerando em doença. Por isso, quando se fala de Taki Onkoy, fala-se em “doença do canto”, pois se refere ao canto sagrado das huacas.
  • Takis: São mantras, sons ou palavras de poder. O taki é um dos nomes do Criador(es/as), nos Andes, portanto a repetição deste faz uma ponte entre nosso Ser e a Criação. Seu significado literal pelos yachacs é de “canto de inter-relação que estabelece um nexo de comunicação com a natureza”.
  • T’aqsa: Elemental da água.
  • Tayta (Tata): Faz referencia a condição paterna e por extensão a avôs e anciões de uma família.
  • Tayta Inti: Pai Sol.
  • Taripay Pacha: O mundo além do tempo e espaço. A imensidão do infinito. A fonte original do Kawsay, a energia cósmica original. Útero cósmico.
  • Tarpuy: Semear, plantar.
  • Tarpuy Pacha: Tempo de semear.
  • Tauna-Apac (ou Tunupa): Outro nome dado a Wiracocha, que significa “O que carrega o bastão”.
  • Tawa: Númeroquatro, sagrado.
  • Tawantin: Faz referência ao número quatro. Um tawantin é a relação especial formada por pares simétricos como no caso dos pares da relação yanantin e mansintin. Mansintin é a formação de uma relação de paridade baseada na semelhança ou congruência. Yanantin é uma relação composta de opostos complementares.
  • Tawantinsuyu: As quatro regiões do império Inka. Significa literalmente Quatro Terras.
  • Taypikala: Pedra Central, hoje conhecida com Tiwanaku.
  • Taytanchik Ranti: O iluminado. Equivalente a Deus na Terra, se refere as forças e capacidades do yachac de sexto nível de desenvolvimento psico-espiritual.
  • Texemuyo: Energia do Universo, a fonte original da criação.
  • Tikrapu: Nome dado ao contrafeitiço elaborado pelo Layka (malero).
  • Tiksi apukuna: São os seres espirituais universais.
  • T’inki: União.
  • Tinkuy: Encontro inicial. Primeiro encontro energético.
  • Tiwanaku (Tihuanaco): Povo andino que construiu um império por volta de 500 d.C. como também é a cidade originária dessa civilização.
  • Tonal: O Cosmos e tudo que nele está contido. A estrutura material existente. Tudo aquilo que tem nome.
  • Toroide ou toro: É um solenoide cilíndrico. Conhecido também por ser uma espécie de cone energético.
  • Tradereyachay: Transmissão de conhecimento.
  • Tsáchila: Tribo que vive na floresta tropical na costa noroeste do Equador.
  • Tupac Amaru: Linhagem ancestral andina que utiliza a conexão com os encantos e a magia das plantas como medicina.
  • Tukuyllank’ayniyuq: Aquele que tem poder completo do corpo.
  • Tukuymunayniyuq: Poder pessoal. Aquele que tem o poder completo da vontade.
  • Tukuyyachayniyuq: Aquele que tem poder completo da mente.
  • Tupay: Intercâmbio ou confrontação.
  • Tusuy: Dançar.
  • Tuta: A mãe de todas as estrelas, à noite.

U

  • Ukhu Pacha: Descreve uma das dimensões do mundo, o mundo abaixo, interior e inconsciente. Ele é representado pelo arquétipo da serpente chamada Amaru, que se localiza na região do sacro, de onde emergem duas outras serpentes: a Sachamama, que é da terra, e a Yakumama da água. É também chamado de mundo dos mortos. É o mundo do instinto, ligado à nossa subconsciência, cérebro reptiliano.
  • Uma:  Cabeça.
  • Unu (Yacu): Água.
  • Unu pachacuti: Grande Inundação da Terra, o dilúvio.
  • Unkhu (Unku): Poncho cerimonial preto feito de alpaca ou vicuña.
  • Untu: Gordura de alpaca ou lhama utilizado no despacho como oferenda.
  • Uray suyu: Direção Norte.
  • Usnu: Estrutura de pedra na qual são realizadas cerimônias sagradas.
  • Uturunku (Otorongo): Puma ou jaguar.

V

  • Vegetalista: Curandeiro Indígena ou mestiço que trabalha com as Plantas Mestras. A maioria trabalha com Ayahuasca.

W

  • Wachay: Nascer ou renascimento. Recapitulação.
  • Wachuma: É um cacto de origem andina (Echinopsis pachanoi), considerado uma planta mestra com aspecto masculino que permite a jornada visionária, pois contém o composto mescalina e que permite até a purificação do corpo. É feito através do personagem chamado “wachumero” e principalmente no espaço geográfico do norte do Peru. Também é conhecido como São Pedro.
  • Wajt’a: Um dos nomes dados as oferendas para os encantos.
  • Wamani: É a presença tutelar e o espírito protetor andino que vive nas montanhas, semelhante ao Apu, só que o Wamani está mais relacionado ao território de Ayacucho no sul do Peru.
  • Waqra: Chifre. Corno.
  • Waqsa: Elemental da água.
  • Waq’a: Alienado, louco, doente mental.
  • Wari: Povo andino que construiu um império por volta de 600 d.C.
  • Warmi: Feminino; mulher.
  • Waroqllo: Espíritos do fogo.
  • Wasa Tullu: Coluna vertebral.
  • Wayqi (Wayki): Irmão.
  • Wayra: Vento, massa de ar em movimento. Um ente da natureza. Elemental do Ar. Se identifica como um espírito de aspecto masculino e sua função é de levar a comunicação a todos os contextos e purificar pela ação do vento.
  • Wayramama: A Mãe do céu e do ar; uma serpente que se move como um vento forte. Na Amazônia se diz que, quando a Wayramama toma banho, um som de trovão é ouvido entre as nuvens, mas sem que esteja chovendo. Quando um curandeiro faz chamadas para Wayramama num transe, ela vem numa forte ventania. Seus olhos brilham com uma luz branca e sua boca irradia ondas violetas.
  • Wayrana: Tipo de construção com apenas três paredes.
  • Wayruru: Semente sagrada de cor avermelhada, utilizada nas oferendas andinas;
  • Wayüu (Guajiro): Grupo étnico da península de La Guajira, no noroeste da Venezuela e nordeste da Colômbia;
  • Wichay suyu: A terra dos nossos sábios ancestrais, a direção sul.
  • Willka: Sagrado, divino. Energia da luz negra, a mais sagrada e poderosa de todas.
  • Willka Mallki:  Árvore Sagrada. Simbologia do ser humano iluminado.
  • Willkamayu: Nome runasimi dado ao rio Urubamba/Vilcanota, o rio sagrado dos Inkas que percorre toda a selva até chegar ao rio Amazonas. Seu significado é “rio sagrado ou rio de luz negra”.
  • Willkanuta: Nome do rio Urubamba/Vilcanota em aymara, que significa “casa do sol”.
  • Wiñay Spíritu: O Espírito Eterno Sagrado, o Texemuyo, o Infinito, a Grande Consciência Cósmica.
  • Wiphala: Bandeirados povos originários andinos;
  • Wiracocha (Viracocha ou Wiraqocha): Pai Céu, no Peru; A palavra é a junção de outras duas palavras (Wira e Kocha) da antiga língua puquina, que significam “Fogo” e “Água” respectivamente;

Y

  • Yachac: Sacerdote, xamã ou mestre andino. Literalmente significa “aquele que sabe” ou “possuidor de conhecimento”. São herdeiros dos Guardiões da Terra, aqueles Guardiões da Sabedoria que chegaram nas Américas há 20 mil anos
  • Yachac Runa (Yachayruna): Os sábios.
  • Yachay (Mariri, dau ou keyón): Sabedoria; também é o nome dado ao muco espesso localizado no estômago dos xamãs amazônicos que contém a essência do poder do xamã.
  • Yachay: Um dos três poderes humanos ou dom (junto com llank’ay e munay) ligado ao conhecimento, a capacidade de raciocinar, usar a lógica e o intelecto.
  • Yachayniyoq: Esta categoria de pessoa da medicina refere-se àquele que administra a sabedoria e o conhecimento através da experiência básica, diz-se que o yachayniyoq amadureceu os níveis anteriores, como o munayniyoq e o llank’ayniyoq para alcançar o yachayniyoq com ampla propriedade.
  • Yachay wasi: Salões do saber que eram de forma cristalina e piramidal em tempos antigos. Já no período incaico, refere-se à casa do conhecimento, o lugar onde os aprendizes ou discípulos compartilhavam para alcançar os ensinamentos necessários para dirigir uma parte do estado Inka. Yachay wasi era direcionado para a realeza e a nobreza. Afirma-se que o responsável por esta escola foi a figura do Amauta Andino.
  • Yacu: Água. Manancial.
  • Yacumama: Deusa-serpente. Senhora das emoções na mitologia amazônica. Anaconda ou sucuri. Seu nome significa “Mãe da Água”. É um elo entre estes mundos, é o poder das águas e da fecundidade.
  • Yagua: Etnia que habita a Amazônia colombiana e peruana.
  • Yamamama: Foi uma nação indígena antiga influenciada pela Irmandade dos Sete Raios e que se diluiu em muitos outros grupos étnicos pré-Inkas e pré-Aymaras.
  • Yaminahua (Yaminawa): Grupo indígena das regiões amazônicas da Bolívia, Brasil e Peru.
  • Yana: Negro, escuro.
  • Yana anqas: Azul escuro.
  • Yana Chumpi – Cinturão energético localizado na base da espinha dorsal. Significa cinto preto e está associado ao elemento água.
  • Yanan Tikuy: Equilíbrio entre os opostos.
  • Yanantin: Relação entre duas pessoas de energias diferentes.
  • Yankay: Vontade.
  • Yanapaq: Faz referência aos espíritos aliados, os quais se fazem presentes logo são evocados a participar e dar suporte a cerimonias, sessões de cura e nas transmissões energéticas (karpays).
  • Yatiri: Mestre xamã que recebeu um raio e é reconhecido como “filho da Terra” (pachawawa) pelos aymaras. É o sábio especialista em técnicas divinatórias e terapêuticas da medicina tradicional, especialmente das que utilizam as folhas de coca.
  • Yuraq: Branco.
  • Yuyay Saywa: Razão (Terceiro Saywa).

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Elaboração: Rodrigo Giovanetti.